segunda-feira, 8 de maio de 2017

Ser mãe é sentir-se Maria!

Olá amigos e amigas, tudo bem com vocês?
Bem, sim, vou novamente falar sobre maternidade. Porque hoje é isso o que mais me toca. Mas também porque logo logo é dia das mães. O primeiro em que passarei com meu filho nos braços, e podendo ainda abraçar a minha mãe e minha avó, e isso é um grande privilégio da vida. E também porque esse assunto me veio à mente e ao coração enquanto eu estava em oração e decidi compartilhar com vocês.
Quando eu ainda estava esperando a chegada de Francisco, expliquei a escolha do nome dele aqui no blog
e a minha forma pouca ortodoxa de rezar. Pra quem tem preguiça de ler o outro texto, sim, o nome dele é inspirado em São Francisco de Assis. E minha forma de rezar é diferente porque não tem nada de "vós que estais a olhar por nós..." mas está mais para uma conversa com amigos.
Nas minhas orações converso com papai do céu, com meu anjo da guarda, com meu amigo e irmão Jesus, com meu admirado amigo Francisco (o de Assis), com os amigos espirituais que acompanham o meu lar, com meu preto velho e com Maria. Não sou lá muito de santos, mas tenho esses companheiros, que me ouvem e acalmam meu coração.
Também não sou lá muito de pedir coisas. Acabo pedindo sabedoria e serenidade para lidar com as coisas da vida, porque tenho fé de que as coisas que acontecem, eu goste ou não, são para meu crescimento e aprendizado. Então, sou um tanto resignada às coisas e tento ter indulgência comigo e com os outros.
Pois bem, mas se tem uma figura para quem eu peço coisas, é pra Maria. Porque, vocês sabem, Maria é mãe. E... bem... mãe é mãe!
Durante a gravidez, me senti mais próxima de Maria. E sempre orava pedindo a ela que me ajudasse a ser uma boa mãe. Às vezes, em nossas conversas, eu falava pra ela que achava que deve ter sido bem difícil ser mãe de Jesus. Que grande responsabilidade né? Ser mãe de alguém que mudaria a humanidade. Perguntava se ela não teve medo dessa tarefa. E sabe que, ela sempre me respondia pra eu ter serenidade, que era isso que ela tinha e por isso não foi difícil, mas sim um privilégio.
E foi assim que eu levei a gravidez, com a serenidade da mãe das mães, sabendo que eu receberia um serzinho todo especial que me daria tudo o que eu precisaria para ser a melhor mãe pra ele.
Não acho que meu filho é melhor que o filho dos outros, e não sei como as outras mães se sentem com seus filhos. Mas eu me sinto um pouco Maria com ele nos braços. Longe de achar que ele é Jesus, mas ele é, como eu, um irmão também, com toda a capacidade de amar que um ser humano pode ter. E amor, amigos, também se ensina.
Pois bem, eu estava ontem, com ele nos braços, conversando com Maria e dizendo pra ela que agora eu a entendia. Sim, a responsabilidade é grande. Mas o amor é tão grande, que não dá espaço pro medo. E é importante que eu me sinta responsável, que eu dê importância a essa enorme tarefa.
Ser mãe, carregar o filho no colo, é sentir-se um pouco Maria. É saber que o amor maior do mundo está com a gente.
E é por isso que as mães dizem: só quem é mãe entende. Porque, por mais irritante que isso possa ser para quem não é mãe, realmente, tem coisas, que só quem é mãe entende. E isso não é menosprezar quem não é, quem escolhe não ser. É só um fato. A maternidade nos faz saber e sentir coisas que não existe outro jeito de saber e sentir. E isso é maravilhoso.
Essa serenidade me faz ter aquela maternidade leve que eu contei num texto anterior. E tem sido cada vez mais leve e mais gostoso. A cada dia que passa o Francisco interage mais com a gente. E eu olho pra ele sabendo que é um ser único, com suas vontades, com seu caminho a trilhar, com seus tombos a cair, com as dificuldades a passar. E eu sei que estarei aqui sempre para ele. Pra ensinar que frustar-se faz parte de ser humano. E que as vezes a gente sente que não tem forças. Mas que é pra isso que a gente tem mãe e família. Pra ter um colo quando precisa e pra recuperar as energias pra seguir em frente.
Ser mãe faz eu  me sentir um pessoa melhor. Com muito mais responsabilidades também. E muito mais feliz também. Além disso, se eu já admirava a minha mãe, faz eu admirá-la ainda mais, amá-la ainda mais. Porque ela também é Maria. Porque todas as mães são Marias do seu jeito.
Feliz dia das Mães!
Bjs

terça-feira, 18 de abril de 2017

Meus 100 metros

Oi pessoal, tudo bem com vocês?
Por aqui tudo ótimo! Ficar cherando o Francisco o dia todo é a mehor coisa do mundo!
Mas não é pra falar das alegrias da maternidade que tô digitando no celular hoje (poderia escrever um milhão de textos e ainda assim seria pouco pra dizer o quanto ser mãe me faz feliz). É sobre os meus 100 metros.
Sim, se você ainda não viu, tá na hora de ver o filme 100 metros, que tá disponível na Netflix (quem não tem netflix, faz aquele plano pra experimentar por 30 dias, só pra ver esse filme, faizfavor!). Resumindo, conta a história de um cara que teve o diagnóstico de EM no auge da carreira profissional, com um filho pequeno e a esposa grávida. Como muitos de nós, negou no início, fez a família sofrer com aquele momento de "só eu importo no mundo porque tenho uma doença" mas mudou de atitude depois de ouvir, de um companheiro de ambulatório (daqueles chatos pra caramba, sabe?), fazendo ou pulsoterapia, ou aplicação de algum medicamento como o Tysabri, que não adiantava fazer nada, em menos de um ano ele não estaria andando nem 100 metros.
Ao piorar e ver que estava realmente difícil andar 100 metros, ele resolveu (resumindo) que ia competir no iron man. Aquela competição de triatlon que o competidor deve fazer 3,8km de natação, 180km de ciclismo e 42km de corrida. Uma prova prum "homem de ferro" mesmo.
Impossível para alguém com EM, não parece?
Pois bem, não vou contar como ele se prepara para a prova, nem se ele consegue... descubra vendo o filme.
Quero é falar sobre os nossos 100 metros de cada dia.
Para mim, andar 100 metros já foi bem difícil. Só com bengala e ajuda de alguém. Mas confesso que não são os 100 metros percorridos a pé que me preocupam mais. Afinal, há muito tempo descobri que somos muito mais do que um par de pernas. Mas esses 100 metros que são as nossas responsabilidades, nossos sonhos, nossos desejos, nossos desafios, nossos medos, nossos obstáculos, nossas quedas, nossas vitórias.
Nunca fui fã de praticar esportes. Sempre fui aquela pessoa destra, com dois pés e mãos esquerdas pro esporte, sabe? E essa coisa de vida fitness também não foi feito pra mim. Faço pilates por obrigação e porque sei que faz bem pro meu corpo, mas não tenho o desejo de correr, pedalar ou nadar em uma competição. Mas me sinto uma vencedora do Iron man todos os dias quando deito a cabeça no travesseiro, ainda com o Francisco no colo, olho pro Jota deitado ao lado e penso: consegui!
Meu iron man já foi conseguir terminar a faculdade e trabalhar ao mesmo tempo. Depois foi ter um emprego regular, desses com hora pra chegar e sem hora pra sair na área de comunicação. Depois foi fazer o mestrado e manter o blog. Depois fazer o doutorado, manter o blog e namorar um cara de longe. Depois foi comprar uma casa, manter a casa, casar e cuidar da EM minha e do Jota. Agora tem sido cuidar da minha EM, do Jota, da casa, do casamento, do Francisco, do trabalho, do blog e da vida.
Tem dias que eu deito na cama de noite, olho pro Jota e digo que me sinto numa gincana, que acaba uma prova e tem que começar outra. Como no triatlon, quando você acaba a natação e acha que tá acabando, na verdade é só o começo do ciclismo.
Acordo com o sorriso mais lindo (e banguela) do universo, por volta das 7h da manhã, depois de acordar umas 2 ou 3 vezes de madrugada naquela dinâmica de bota no berço, tira do berço, embala, dá mamá, bota no berço... Mesmo levantando morrendo de sono, acordo feliz, por ter esse pacotinho de amor comigo todos os dias. Arrumo Francisco, troco de roupa, faço e tomo meu café e tenho a honra e o privilégio de sair caminhar com meus avós todas as manhãs. Aproveito cada segundo desse passeio matinal em que Francisco se encanta com cada árvore do caminho (prometo um post só sobre esses passeios). Chego em casa, dou mamá, arrumo as mamadeiras, brinco com Francisco e, pouco antes do almoço, na hora da sonequinha dele, pego o celular para responder os emails e ver as demandas de trabalho do dia.
Almoço quando minha mãe ou minha sogra pegam o Francisco no colo. E, ainda bem, não preciso me preocupar em fazer a comida.
De tarde, brinco com Francisco, dou mamá, trabalho e leio na sonequinha dele, resolvo as coisas da casa com o Jota. De noite tem o banho do Jota (e meu), a janta correndinho, o banho do Francisco, o mamá e cama!
No meio de tudo isso, tem os dias em que o Jota acorda pior e precisa de mais ajuda, ou, participa menos das atividades com o Francisco. Tem dias que eu tomo avonex, passo mal a madrugada inteira e fico o dia meio zumbi, mas tendo que fazer tudo, da mesma forma. Tem dias que a demanda de trabalho é maior, e eu choro porque acho que não vou conseguir entregar o que preciso. Tem dias que eu acho que não vou dar conta de andar meus 100 metros.
Mas aí eu lembro que a gente não anda esses 100 metros sozinhos. Que minha família tá junto comigo. Que eu tenho que ser forte por mim, pelo Francisco, pelo Jota. Que essa prova não é só minha e que muita gente tá envolvida nela, como no caso do filme.
Da mesma forma, quando o Jota começa a achar que não vai dar, eu mostro pra ele que essa prova não é só dele. Que muita gente tá envolvida nisso e que ele precisa persistir.
É verdade que às vezes dói. Que a gente chora. Que cansa. Que pensa que não vai dar.
Mas todos nós temos nossos próprios 100 metros diários a percorrer. E cada um de nós sabe como fazer, em quem se apoiar e como ir atrás.
Se seu sonho é participar de um iron man, vá atrás. Se é escrever um livro, plantar uma árvore e ter um filho, vá atrás também. Se é abandonar tudo e sair viajando pelo mundo, vá. Só não deixe de percorrer seus 100 metros, todos os dias. Alguns podem dizer que é loucura, que é impossível ou que não vale a pena. Mas só você sabe o que vale ou não pra você!

Ah, e sobre o filme... chorei litros. Me vi enquanto pessoa com EM, mas muito mais, confesso, enquanto esposa de alguém com EM. Só de lembrar do final do filme (tá, vou contar), quando aparecem imagens reais da história, e a esposa do Ramón chega com os filhos pra acabar a corrida com ele, me vi com o Jota, com o Francisco, com os filhos que queremos ter, juntos; lutando para conseguir nossos 100 metros diários, juntos, como deve ser, com aqueles que nos amam e nos apoiam ali, ao lado, apoiando, aplaudindo e carregando a gente no colo, muitas vezes.
Porque não é fácil. Não é simples. Mas é possível. E é possível sorrindo, vendo a beleza de cada momento, de cada aprendizado.
Nisso eu me reconheço em Ramón. Porque e

ssa foi a escolha que eu fiz. Não de fazer uma prova esportiva quase sobre humana, mas viver cada dia, com toda a humanidade que me cabe, com todo amor que sinto, com toda a leveza que viver merece e percorrer meus particulares 100 metros.
Até mais!
Bjs

quarta-feira, 15 de março de 2017

Maternidade leve


Olá pessoal, tudo bem com vocês?
Por aqui tudo ótimo!!!!!
Sinto falta de escrever mais no blog... mas acabo usando o tempo de vovó-babá para escrever o conteúdo da AME (isso...eu não esqueci do povo esclerosado, meu trabalho na AME é esse mesmo...escrever, escrever, escrever e responder a todos).
Bem, mas hoje resolvi testar escrever no celular. Francisco está aqui, fazendo seu cochilo no meu colo enquanto leio e respondo emails e tento escrever aqui hoje.
As pessoas têm me perguntado como tem sido a maternidade com EM. E eu só posso responder que tem sido algo ma-ra-vi-lho-so! De verdade! Sem exageros!
Não que não seja cansativo às vezes, ou que nada na minha vida tenha mudado. Pelo contrário...tudo mudou...e mudou para melhor!
Sobre a EM, ela tem me dado trégua. Voltei ao avonex mês passado (acompanharam nossos vídeos sobre amamentação?) e foi mais tranquilo do que eu imaginei. Não estou com nenhum sintoma...nem dor, nem fadiga...nada! Isso me permite me dedicar 100% ao Francisco. Quer dizer, quase 100, afinal, tem o trabalho, tem eu mesma, tem o Jota. Mas acho que tenho equilibrado bem os pratos.
Às vezes sinto como se devesse algo pra alguém sempre. Olho minha carreira acadêmica e penso que vai demorar pra ela engrenar mesmo. Olho pro meu trabalho na AME e acho que podia fazer mais. Olho pro Jota e vejo que só dar banho e ficar algumas horas por dia com ele pode ser pouco. Olho pra minha mãe e acho que a sobrecarrego pedindo ajuda pra eu poder comer e tomar banho enquanto ela fica com o bebê. Mas, mesmo achando que "devo" pra esse monte de gente, me sinto em paz e harmonia porque não devo nada ao meu filho, nem a mim.
Eu queria muito ser mãe. Mas nunca idealizei esse momento. Só sabia que queria ser e seria o que desse pra ser. Eu sabia que minha vida jamais seria a mesma e abracei essa mudança com todo amor que se pode sentir.
 Talvez por isso eu não me incomode em acordar as 6h da manhã, em esfregar fralda de cocô, em fazer mamadeira e dar de mamar a cada 4h (no início era a cada 2h), em brincar e manter conversas que só nós entendemos (sim, ele conversa bastante), em andar com seus mais de 7kg no colo pra lá e pra cá ninando ele.
Não me incomodo em deitar as 22h, junto com ele, nem em dormir uma noite toda com ele no colo quando o berço parece ter espinhos.
Me agarro nele e curto cada um desses momentos. Porque descobri, já no parto, que ser mãe é sentir saudade. Sinto uma saudade imensa daquele barrigão.
Ele tem só 3 meses...mas já cresceu tanto! Quando vejo um recém nascido já penso que ele foi daquele tamanhico...e bate uma saudadinha de quando ele cabia num braço só.
Mas também amo e vibro a cada novidade. Cada sorriso, gargalhada, som novo. Cada vez que ele tenta pegar um brinquedo com a mão. Cada beicinho que ele faz quando eu demoro pra pegar no colo. Cada festa que é todo banho, com água que salta pelo quarto todo. Cada roupinha que não serve mais porque tem uma dobrinha a mais nas pernocas gordinhas do meu pequeno.
Claro que dá trabalho. Claro que é diferente de tudo que eu já vivi. Mas eu não trocaria por nada nesse mundo. Não queria minha vida anterior por nem um dia. E se eu tivesse condições financeiras, queria ter mais uns cinco. Mas acho que só vamos poder ter mais um. Ou dois.
Ah sim, e sempre que eu digo isso, ouço aquelas "ameaças"de outras mães que dizem: tu diz isso agora...qd crescer vc vai mudar o discurso...isso passa...blablabla...
Bem, cresci ouvindo esse tipo de ameaça e elas não me assustam mais. Honestamente, quero dizer pras pessoas que falam isso o seguinte: para que tá feio!
Quando eu tava na quinta série, me falavam que era eu só ia bem porque essa era fácil, quando eu chegasse no ensino médio eu ia ver. Não vi nada. Depois era a faculdade, depois o mercado de trabalho, depois o mestrado, depois o doutorado, depois o namoro à distância, depois o morar juntos, depois o casamento... enfim, até agora tô "esperando pra ver".
Acho que, na verdade, as pessoas pegam suas frustrações e transformam em ameaça pro futuro das outras achando que estão dando um conselho.
A última "ameaça" que ouvi foi: agora tu tá achando tudo lindo...mas espera ter um surto ou o Jota piorar pra você ver.
Deu vontade de dizer: queridinha, meu marido mal consegue se mexer e tem piorado progressivamente, na minha RM apareceu uma lesão nova durante a gravidez, eu tenho essa p*** de EM há 17 anos...tu acha mesmo que tua maldição me assusta?
Porque, sinceramente, parece uma espécie de maldição. Ou de recalque...vai saber.
Talvez, chegando lá na frente, os outros até tenham razão e eu mude de posição. Mas até lá, vou levando tudo numa boa, com a certeza de que eu não preciso ter razão, mas me sentir bem.
Então, vou continuar aqui, com meus sonhos, meus planos, e minha maternidade leve. Talvez irritantemente leve para alguns. Mas para mim, deliciosamente leve e amorosa. Fazendo o que posso, como posso, enquanto posso. Francisco tem gostado assim. Eu também. E isso é que importa.
Até mais!
Bjs

domingo, 18 de dezembro de 2016

Carta ao meu Francisco, ou, um relato detalhado do parto

Era o dia 02 de dezembro de 2016. Acordei como em qualquer outro dia, tomei meu café da manhã, molhei as plantinhas do jardim e sentei para descansar um pouco. Subi na casa da vovó para amarrar o anjinho do dia no quadro de natal e, quando olhei para aquele calendário natalino pensei: acho que ele vai ser do dia 03.
Quando desci para fazer o almoço, senti uma contração um pouco diferente. Aí pensei: vai ver entro em trabalho de parto hoje e ele nasce de madrugada.
Foi quase isso.
Depois do almoço, as contrações tomaram ritmo e vinham de 10 em 10 minutos. Liguei pra médica obstetra e ela disse: quando tiver 2 a cada 10 minutos me liga. Ontem na consulta eu mexi em você, pode ser isso também. Já fazia 38 semanas e 6 dias que você estava na barriga da mamãe,então, ainda tinha tempo pra você vir. Mas a mamãe sabe das coisas. Eu sabia que você estava chegando. Falei pro papai tomar um banho e descansar, porque talvez precisássemos de muitas horas no hospital pra você nascer.
Subi pra casa da vovó e tomei um banho gostoso, conversando com você. Cantamos nossas musiquinhas. Alisei a barriga com carinho, porque sabia que no dia seguinte ela não estaria mais ali. Quer dizer, eu sabia que o maior amor da minha vida estaria do lado de fora e não mais ali dentro, mexendo e interagindo comigo daquela forma especial que só nós dois sabemos.
Depois do banho, as contrações vinham de 5 em 5 ou de 7 em 7 minutos. E começou a doer. A primeira que doeu mesmo, a mamãe achou que era um louca vontade de fazer xixi, mas não conseguia me levantar. Foi aí que ligamos novamente pra médica, que mandou a mamãe ir pro hospital.
Ligamos pro titio Caco, que veio buscar a mamãe, o papai e tuas duas vovós. A mamãe estava muito tranquila. Com a tranquilidade de quem sabe que tudo ia dar certo, que não precisava me preocupar com nada. Acho que no carro, meu filho, a pessoa mais tranquila era a mamãe.
Quando chegamos no hospital, a mamãe nem precisou dizer pro moço da recepção que ia pra emergência obstétrica. Uma contração forte veio bem na hora. Mamãe foi caminhando, porque era mais confortável ficar em pé, com o corpo levemente inclinado pra frente, do que sentada.
A mamãe subiu pro atendimento com a vovó Sônia, enquanto a vovó Leda ajudava o papai, montando a cadeira dele pra que ele pudesse ficar com a gente depois.
Na sala de espera pro atendimento, tinha mais duas gravidinhas, prestes a conhecer seus filhotes também. Elas perguntaram que horas você vinhas, mas a mamãe não sabia, porque ia deixar você vir a hora que quisesse. Elas acharam estranho a mamãe não marcar hora pra sua vinda. Mas era bem assim que a mamãe queria.
Antes de entrar pro atendimento, mamãe criou um grupo no whatsapp pra avisar a família e os amigos mais próximos que você estava chegando e estávamos na maternidade do hospital. Muitas pessoas te amam meu filho, desde a barriga da mamãe, e estavam ansiosos por esse momento também.
Mamãe entrou sozinha pro atendimento. A enfermeira viu que tava tudo bem com a mamãe e as 17:10h ligou um aparelho pra ouvir os batimentos do teu coraçãozinho e contar o número e intensidade das contrações da mamãe. Eu fiquei ali, deitada de lado, olhando pro monitor do aparelho e ouvindo o teu coraçãozinho por 30 minutos. Quando vinha a contração, teu coraçãozinho acelerava um pouco e a gente ficou conversando sobre como seria o momento da tua chegada.
A médica da mamãe ainda não estava lá, então, a Dra. Laura atendeu a mamãe e viu que tinha 4cm de dilatação. Pra você nascer ia precisar de 10. Então ela calculou e, como você é o primeiro filho da mamãe, podia demorar um tanto de tempo, e disse: acho que até a meia noite o Francisco tá aqui nos seus braços.
As moças (enfermeiras e técnicas) que atenderam a mamãe naquela primeira sala foram muito queridas com a gente. Deixaram a mamãe ficar sentada num bola de exercícios, embaixo do chuveiro. Ajudava bastante pra segurar a dor de cada contração. Foi quando a mamãe tava no chuveiro que o papai chegou pra nos acompanhar. Nesse momento a mamãe ainda conseguia conversar no intervalo das contrações.
Saindo do chuveiro, levaram a mamãe pra sala pré-parto. Um outro quarto. Lá colocaram um soro no braço da mamãe e a dra. Aline, médica da mamãe,examinou pra ver quanto tempo, maius ou menos íamos esperar. Já estávamos com 7cm. Em uma hora aumentamos 3cm de dilatação. Enquanto a médica examinava a mamãe, a bolsa de água em que você ficava se rompeu e saiu uma aguaceiro na cama. As moças da maternidade limparam a mamãe, trocaram o lençol e eu fiquei sentada na bola, me apoiando na cama. As vezes doía e parecia que eu tinha vontade de ir no banheiro. Mas eu sabia que era meu corpo fazendo força pra você vir.
As dores foram piorando. Ficando mais intensas e mais próximas. Antes demorara 10, depois 5, agora já estava de 2 em 2 minutos e a mamãe mal conseguia se recuperar da dor anterior quando vinha a próxima. A mamãe suava muito e tremia. Resolvi deitar na cama, apesar de doer mais deitada. Estava com medo de desmaiar, cair da bola.
Uma enfermeira perguntou quanto era o nível de dor naquela hora, de 0 a 10. A mamãe calculou em 8. Depois de tudo, ela disse que naquela hora já devia ser 12...
A anestesista não tinha chegado ainda. A gente calculava que você ia demorar mais pra nascer, porque você é o primeiro bebê da mamãe. Mas, novamente, em menos de uma hora, aumentamos mais 3cm de dilatação e você precisava vir. Conseguimos uma pediatra de plantão pra ajudar a mamãe a te receber. E, quando já tava praticamente na hora de levar a mamãe pra sala de parto, a "anja anestesista" chegou. Eu falei pra dra. Aline que precisava fazer força, que meu corpo não aguentava mais não fazer força. E quando fizemos força ali na sala pré-parto, você já estava dando sinais.
Correndo a anestesista atendeu a mamãe, que já não conseguia sentar mais sozinha, então um médico e uma enfermeira seguraram a mamãe sentada. A Roberta (a mamãe conseguiu ler o crachá dela na hora) foi quem colocou a cabeça da mamãe no ombro e lembrava à mamãe que precisava respirar. Ela foi um anjinho também, assim como a anestesista, que deu uma injeçãozinha nas costas da mamãe que aliviou a dor.
Nessa hora levaram a mamãe pra sala de parto. A mamãe tava com tanto calor e suando tanto que já tinha tirado toda a roupa. Na sala de parto trocaram a mamãe de cama, pra uma onde eu pudesse colocar as pernas pra cima e fazer a força pra você sair. O papai foi junto, e colocaram um roupa especial nele, pra ficar ali com a gente.
Como a mamãe já não sentia mais a dor, a médica disse: você está tendo uma contração, faz força! Eu fiz toda a força que conseguia fazer. Já emocionada porque logo iria ver você. Depois dessa ela disse: mais uma e ele vem. E foi assim mesmo. Na segunda contração, ali na sala de parto, você veio naturalmente.
Não abriu um berreiro, nem chorou. Você saiu da minha barriga para o meu peito, abriu os olhinhos quando eu disse "oi meu amor",  e fez um resmungo, como quem dissesse, tô aqui mãe!
Foi lindo! A mamãe não tinha muitas expectativas sobre o parto. Mas posso dizer que foi melhor do que qualquer coisa que eu imaginei. Do que qualquer coisa que eu já vivi.
Você ficou ali uns minutos, antes de cortarem o cordão umbilical e levarem você pra pesar. O papai tava o tempo todo com a gente. E chorou quando viu você no colo da mamãe.
Sabe, antes de ter você, eu via cenas de parto e não entendia como as mulheres não tinham medo de derrubar o bebê, tão frágil, do colo, logo após o parto. Hoje eu sei que a gente liga um chip quando colocam o filho no nosso colo e, do nada, a gente sabe exatamente como pegar nossa cria.
Antes de levarem você pra pesagem, pro seu primeiro banho, as vacinas etc. O papai voltou na sala de parto contigo no colo. Foi a cena mais linda da vida da mamãe. Teu papai, que achava que não ia conseguir te pegar, foi o primeiro a te levar dum lado pro outro no hospital. A mamãe foi levada para um quarto, esperar você chegar e
tudo foi feito sob os olhares atentos do papai, que estava ao teu lado, e das vovós e da dinda Raquel, que viram tudo através do vidro, fotografaram e filmaram e iam enviando pra mamãe poder ver também.
Eu ainda passei pelo mesmo vidro e pude olhar elas ali, tão emocionadas quanto eu.
Te esperei no quarto. Quando você chegou, até jantar a mamãe já tinha jantado. O papai ficou ali por mais um tempo.

A vovó Sônia dormiu com a gente na primeira noite. Ou melhor, ficou acordada comigo, admirando você o tempo todo.
O parto foi lindo, foi perfeito e a mamãe saiu pronta pra outro. Sem nenhum corte, sem nenhuma dor depois. Só carregando o maior amor do mundo nos braços.
Assim foi o nosso dia 02 de dezembro. O primeiro dia seu aqui na terra. O primeiro dia do resto das nossas vidas, com muita alegria e luz, meu Francisco.
Nós viemos pra casa no dia 04. E a mamãe tem que agradecer muito a toda equipe que nos atendeu. Além da dra. Aline, todas as enfermeiras e técnicas que atenderam a gente foram muito carinhosas. Todas mesmo. Queria ter dado um abraço bem apertado em cada uma das pessoas que passaram por nós naqueles dias e marcaram nossas vidas pra sempre.
A gente teve muita sorte (ou merecimento) de ter anjinhos com a gente nesses momentos. E nisso incluo a tia Cintia e a pequena Helena, que havia nascido um dia antes, nossas companheiras de quarto e que queremos acompanhar pela vida.
Jamais vamos esquecer o carinho e dedicação das profissionais da maternidade do Hospital Moinhos de Vento. Obrigada meninas!
E obrigada também a todos e todas que foram nos visitar ainda no hospital (tio Neo, tia Lígia, Luana, Everton, dinda Raquel, tio Eduardo, tia Tata, biso e bisa, vô Roni, tia Neyra, tia Lúcia, vovós Marília e Helena, além das vós oficiais que estão sempre com a gente, Sônia e Lêda. Em especial o Dinho Gu, que veio de São Paulo pra te conhecer. O papai só vinha pra casa pra dormir e estava aqui pra nos receber quando chegamos.
Assim foi o nosso dia 02 de dezembro. O primeiro dia seu aqui na terra. O primeiro dia do resto das nossas vidas, com muita alegria e luz, meu Francisco.
Com amor,
Mamãe.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Carta ao marido da jovem grávida

Aí o maridão lê seu texto e pede um espaço no blog pra fazer você chorar escrever.
Curtam, como eu curti, o texto do Jota aos papais grávidos:

Esse é um daqueles textos não programados; que vem de cascata (quem escreve sabe o que quero dizer). Entram no meio do seu dia já programado, bagunçando e deixando para depois tudo aquilo que você tinha elegido como prioridade. Escrever ganha ares de necessidade e precisa ser feito! É quase uma tromba d’água que cai de repente molhando de surpresa a roupa no varal. Algo que já existe completo no “mundo das ideias” e “só” precisa ser escrito. Depois de compartilhar a emoção da Bruna escrevendo sua carta à jovem grávida e lendo as coisas que diziam diretamente sobre mim, fiquei com vontade de escrever também ao marido da jovem grávida. Não tinha tanta noção do quanto algumas coisas que fazia meio que inconscientemente eram importantes para ela.

Carta ao marido da jovem grávida
Recentemente, quando uma amiga me confessou que estava grávida eu lhe disse: Parabéns! Antigamente, quando alguém me contava sobre uma gravidez, eu não sabia se felicitava ou consolava, mas hoje eu só parabenizo. Ser pai e acompanhar de perto uma gravidez é uma experiência fantástica. Então, se você é uma dessas pessoas: parabéns!
A dúvida tinha um motivo. Na adolescência, morria de medo de ser pai. Uma gravidez podia arruinar os planos que havia traçado. Não era um medo vivido individualmente, só meu. Era igualmente compartilhado por minhas namoradas. Era só a menstruação atrasar alguns dias para bater um temor na gente. Confesso que sentia um certo alívio mensal quando o ciclo se renovava e pensava: ufa! Não foi dessa vez. E lhes digo: é muito mais agradável fazer um teste de farmácia esperando que ele dê positivo do que negativo. Até sua namorada aparecer com a confirmação da “não-gravidez” na mão, parecem minutos intermináveis.
No entanto, o pavor da adolescência deu espaço às expectativas. Logo que começamos a tentar engravidar, vivíamos com alegria cada dia a mais sem sinal de menstruação. E quando a Bruna falava alguma coisa que não entendia direito ou anunciava que queria conversar comigo, já imaginava, ela ia me contar que não estávamos grávidos. (digressão surreal: ela me ligou agora para falar de uma Eco que tinha feito e só fiquei mais tranquilo quando ela falou que estava tudo bem. Ainda tenho esse pavor. Acho que ele vai me acompanhar pelo resto da minha vida como pai).
Felizmente, engravidamos logo no primeiro mês de tentativa. Imagino a frustração de um casal quando não consegue engravidar logo. Mas desde o começo colocamos que queríamos ser pai e mãe, independente da gravidez. A Bruna teve que parar a medicação e tínhamos um prazo médico para as nossas tentativas. Então a adoção era uma possibilidade bem presente, caso não conseguíssemos. Quem sabe um dia ainda seja realidade.
O Francisco foi cuidadosamente planejado, mas sabemos que nem sempre é assim que a banda toca. Uma gravidez inesperada pode atrapalhar a conquista de um objetivo idealizado. Mas vou lhes dizer: uma doença também! E tâmo aí! Então esse tal ideal só serve para continuarmos caminhando. A realidade é bem mais complexa e urgente. E você tem que escolher entre a realidade e o ideal.
Se escolher ser pai, talvez você possa passar a vida inteira se lamentando por um ideal não realizado. Ou pode aproveitar a experiência que a vida está lhe oferecendo e curtir quem realmente importa nesse momento: sua esposa e o filho que ela carrega no ventre. Certamente, tenho muita sorte de ter a Bruna como acompanhante dessa jornada. Uma companheira que sempre me fez colocar os pés no presente. Mesmo com todos os medos e inseguranças que se apresentam no processo da paternidade (e ainda mais da paternidade com uma deficiência) e sempre me lembrou e não deixava eu esquecer: “Ooooh, eu preciso de você aqui e agora”.
De nada adiantava eu ficar imaginando todas as dificuldades (o ideal nem sempre é o sonho do sucesso, às vezes está travestido de medo e insegurança. Pode ser pesadelo. Mas está sempre no futuro) que teria e esquecer-se de quem realmente precisava de você: a mãe de seu/sua filho ou filha ao seu lado. E essa é a primeira sugestão que dou aos maridos dessa jovem mulher grávida: esqueça do futuro, dos medos, dos objetivos. Sua vida é outra agora, tenha medo, mas vá com medo mesmo. Construa novos objetivos.
A gravidez pode ser esperada ou indesejada, mas, na verdade, você é mero coadjuvante nesse processo. Uma vez eu comparei a gravidez a um sonho: você pode estar presente na imaginação da outra pessoa, no entanto você terá acesso à narrativa do sonho unicamente se alguém te contar o que sonhou. A mulher grávida é como o sonhador. Você só saberá quando o nenê chutou, mexeu ou acordou se ela te contar. O sonho é dela e você alguém que se beneficia das palavras do sonhador.
E nesse sentido, cabe a você se interessar pela história que ela tem pra contar. E aí está a segunda dica: se interesse pela história. A Bruna nem sabe, mas adoro quando ela interrompe uma conversa que estamos tendo para dizer, olhando para a barriga: bom dia, filho! Sentir o primeiro movimento do dia deve ser algo mágico. Mas é uma coisa que não tenho acesso pela experiência, apenas pela narração. Só posso sentir a alegria que me toma quando vivencio essa cena; ver o carinho que a Bruna dirige à barriga etc. Isso eu posso sentir, e gosto.
Assim, como espectadores da natureza, fico meio sem entender àqueles que decidem não participar da narrativa; aqueles que abandonam, não se interessam e não vivem essa experiência. Mesmo que não programada, uma gravidez não tem nada a ver com você. Talvez seja fácil eu falar agora... provavelmente, não teria o mesmo pensamento na adolescência, enquanto a vida parecia um quadro a se pintar. No entanto, não é um ideal que constrói a nossa vida, mas o diário. E assim como é possível viver e batalhar pelos seus sonhos com uma doença, também é possível com uma gravidez não programada. No fundo deve escolher entre o ideal individual que se apresenta enquanto possibilidade ou um novo ideal construído coletivamente com sua família. Uma gravidez não esperada não significa abandonar seus sonhos, mas ressignificá-los. Sei lá, talvez não seja uma tarefa fácil, mas depois de tantos sonhos que adaptei às atuais condições por causa da doença, já estou craque e talvez você consiga se treinar um pouco. Essa é a terceira dica: Não abandone seus sonhos! Construa outros com sua esposa, namorada, ficante e com seu filho ou sua filha.
Outra coisa, a quarta dica: não se esqueça que a jovem grávida é, acima de tudo, uma mulher, com desejos, carências, manias, objetivos etc. – talvez mais exaltados no período, mas a mesma mulher de antes da gestação. Então me surpreende relatos de maridos que perderam o desejo na mulher ou que se afastam por alguma coisa. Não sei, talvez pra mim seja fácil, porque eu acho linda a Bruna grávida. Acho lindo aquela barriga nela. Pra mim, ela é a mulher mais linda do mundo e quero sempre estar ao lado dela, seja em carícias mais picantes, seja em “colinhos”. Não é uma dica do tipo “levante a autoestima de sua esposa”... não! Eu acho bonito mesmo! Mas entendo que cada caso é um caso, nem sempre a pessoa está feliz com seu corpo. Nesse caso, talvez você deva se esforçar para levantar a autoestima da jovem grávida. Não por pena, por amor!

Aqui estão só algumas dicas, mas não são regras. Melhor seria vê-las como sugestões. Certamente, a experiência pessoal e a dinâmica do casal podem avaliar melhor a utilidade dessas “dicas” e aperfeiçoar seus preceitos. São sugestões, não conclusões. Não são dicas do tipo manual (faça você mesmo ou faça assim, não assado). A gravidez e a paternidade são experiências incríveis e precisam mais de feeling do que receitas de bolo prontas.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Carta à jovem grávida

Oi queridos e queridas, tudo bem com vocês?
Por aqui tudo bem. Estamos com 38 semanas de gravidez (lembrando a quem não entende de gravidez em semanas, que o total de uma gravidez é 40). Estamos ansiosos pela chegada do nosso pequeno e, ontem, recebemos um email de uma querida amiga que está nos primeiros meses de gravidez. Ao pensar numa resposta pra ela, acabei pensando em algo que eu gostaria de dizer a todas as mulheres que estão no início dessa caminhada linda, intensa e emocionante que é estar grávida. Então, peço licença ao assunto esclerose para falar de gestação.


Carta à jovem grávida
Olá amiga que está grávida. Se você não me conhece e está lendo essa carta, ainda assim te chamarei de amiga, afinal, compartilhamos de uma experiência única e inexplicável de nossas vidas: a gravidez.
Não importa a sua idade, jovem grávida, és jovem porque estás no início de um caminho que eu me encontro no final.
Eu sei que para cada uma de nós, essa experiência é diferente. Algumas, como eu, planejaram esse momento. Outras foram pegas de surpresa. Algumas tem um companheiro do lado, outras não. Algumas ficam felizes com essa vivência, com seu corpo, outras nem tanto. Por isso, não leve essas palavras como algo que você deve, obrigatoriamente viver nos próximos meses. Porque a sua gravidez e a minha são diferentes. No entanto, gostaria de te contar um pouco como foi para mim.
Eu conto porque nesses meses, às vezes eu sentia falta de alguém que vivia a mesma coisa que eu pra compartilhar. E a cada texto de amiga grávida que falava da emoção que estava vivendo, e eu me encontrava naquelas palavras, me sentia fazendo parte não só de um grupo - o de mulheres mães - mas me sentia parte de algo maior, sem explicação.
A verdade, minha amiga, é que nada... nadica de nada nessa vida nos prepara para a gravidez. Por mais que tenhamos vivido momentos intensos, emocionantes, alegres ou tristes em nossas vidas, absolutamente nada nos prepara para o momento em que nosso corpo gera um ser dentro da gente.
No início, quando ainda não sentimos ele mexer, ficamos olhando para o próprio ventre e pensando em como pode ter um serzinho ali dentro. E naquela ecografia que a gente vê que o bichinho de apenas 7cm já tem mãozinha, pezinho e rostinho, ficamos sem saber explicar como isso acontece.
Por mais que nos expliquem biologicamente como acontece, a transformação da gente em mãe é algo que não se explica.
Aí a gente fica querendo ver barrigão e sentir o bebê mexer. E começa a ler sites sobre o assunto, conversar com outras mulheres sobre isso e fica na expectativa. Eu jurava, com 4 meses, que aquilo que eu tinha era barriga de grávida. Hoje, olhando as fotos, eu rio, porque só fui ter mesmo barrigão a partir do sétimo mês. Então, não se culpe por andar meio torta no início, pra forçar uma barriga que ainda não existe. Ou, se você já tem o barrigão desde o início. Não é a barriga que faz a gente mais ou menos mãe. Nem os peitos, que, você vai ver, vão crescer, ficar estranhos e ligeiramente - ou muito - diferentes um do outro.
Mas nada, minha amiga, nos prepara para aquele momento em que você se olha nua no espelho e percebe que seu corpo são dois. Que sua alma são duas. E que você nunca se achou tão linda na vida quanto agora, carregando esse barrigão lindo. E mesmo você não conseguindo enxergar mais suas partes íntimas no banho, você ama esse barrigão mais que tudo e começa a sentir falta dele nas últimas semanas de gravidez.
No início a gente fica pensando, a cada movimento ou barulho estranho da nossa barriga, se aquilo é o bebê se mexendo (ou gases). Mas ele ainda é pequeno. Se mexe o tempo todo e a gente não sente. E quando perguntamos pra alguém como é e ouvimos aquele fatídico "você vai saber quando for", ficamos até brabas com isso. Mas, minha amiga, vou ser a mulher chata que diz: você vai saber quando for! E quando for, você vai ver que nada na vida te preparou pra esse momento. Nenhuma alegria vivida antes se compara a um filho brincando no seu ventre.
Antes disso acontecer, eu já conversava e cantava pro Francisco. Antes mesmo de saber que ele seria Francisco. Mas quando eles mexem, há uma interação entre mãe e filho que só nós sabemos. Só nós sabemos o quanto ele mexe de um lado pro outro com a conversa do papai e o quanto ele pula quando é a titia que coloca a mão na barriga. Só a gente sabe que ele mexe diferente quando encostamos na barriga algo frio ou quente. Só nós sabemos!
Pois é, amiga... entramos para o time das mães, esse time que tem coisas que só quem é mãe que sabe. E aí entendemos aqueles discursos de "quando você for mãe você vai entender". Porque é verdade. Só sendo mãe pra saber.
Os pais que me perdoem, mas é bom demais ficar grávida. Claro que existem coisas que só os pais sabem. E claro que não é preciso passar por uma gestação física para se tornar mãe e pai. Mas sim, é uma emoção diferente de tudo que alguém pode viver.
Eu cuido quando eu digo que tenho um dózinho de quem não engravida. Porque não é uma pena das mulheres que não podem engravidar, nem um julgamento sobre as que não querem. É um dózinho mesmo porque é algo tão gostoso, tão maravilhoso, tão tão tão... tão sem palavras, que eu gostaria que todas as pessoas no universo, homens e mulheres, pudessem vivenciar. Ainda que não queiram ser mães ou pais. Não sei se me fiz entender sem ofender ninguém... mas, enfim, eu queria poder compartilhar essa felicidade enorme que toma todo meu corpo com todas as pessoas...
Também, no início da gravidez, a gente fica com um pouco de medo, afinal, o bebê está ali dentro e deve estar crescendo saudável. Mas como saber? Como ter certeza? Como saber se o coraçãozinho está batendo se não podemos escutar diariamente, nem tocá-lo? Mais uma vez, minha amiga: você vai saber quando algo não estiver certo. E não hesite em ir no médico, mesmo que todo mundo diga que é bobagem, que é exagero de primeira gravidez ou que você tá fazendo fiasco. Porque, lembre-se, mãe sabe das coisas. E é incrível mesmo o quanto a gente sabe. Eu não achava que saberia, até que aconteceu: depois de um estresse emocional, comecei a sentir algo diferente no meu corpo. Fui na médica e descobri que meu colo do útero estava muito fino pra 30 semanas. E foi aí que fui pro repouso. Então, minha amiga, não se preocupe, você vai saber! Ou melhor, se preocupe, porque uma das coisas que acontece quando vamos nos tornando mãe é isso: ficamos mais preocupadas e atentas a tudo.
Aliás, sabe aquelas convicções que você tinha e defendia, como o feminismo, a igualdade racial, de gênero, o fim da fome no mundo? Então, isso tudo vai aflorar e você vai defender ainda mais. Afinal, o mundo não tem que ser melhor mais pra você e pra quem já está aqui, mas pro seu filho que está chegando. E você não quer que ele cresça ouvindo discursos de ódio, nem que ele naturalize o racismo, nem que ele cresça achando que pode tudo porque é homem ou que não pode nada porque é mulher. Quando engravidamos, damos uma carta de esperança ao universo e temos que fazer com que essa esperança continue com a gente e que perpetue com nossos filhos e nossas filhas.
E a barriga vai crescendo e você vai se transformando. Quando descobre que nada no mundo, nem as mexidas constantes do seu bebê na barriga, te prepararam para o momento em que começa a sair um líquido do seu peito e você se vê capaz de alimentar a sua cria. Nada no mundo te prepara pra isso. Assim como, eu sei, que isso não me preparou para o momento em que eu terei meu filho mamando no meu peito.
Outra coisa também é certa: você vai chorar! Vai chorar bastante. E isso não é ruim. É apenas a emoção que não cabe em você saindo pelos olhos. Você vai chorar quando ver aquele borrão na primeira ecografia e ouvir, pela primeira vez o seu segundo coração bater. Você vai chorar quando ler aquelas mensagens de maternidade que os amigos vão postar na sua timeline nas redes sociais. Você vai chorar quando cantar pro seu bebê e ele mexer suavemente ao som da sua voz. Você vai chorar quando tentar falar publicamente sobre a emoção de estar grávida. Você vai chorar quando for tentar ser o porto seguro do pai do seu filho, que está passando por transformações diferentes das suas, mas ainda assim, transformações. Você vai chorar quando ganhar um mimo cheio de carinho pro quartinho do seu bebê. E vai chorar quando pegar as roupinhas dele na gaveta da cômoda e ver o quanto ele vai ser pequenino ao nascer. E vai chorar quando ver crianças brincando no parquinho. E vai chorar quando parecer que você está vivendo tudo isso sozinha, porque só você na casa está grávida e parece que ninguém entende o que está acontecendo com você. E também vai chorar quando receber um email de uma amiga dizendo o quanto está torcendo por você e que já ama seu filho também. E vai chorar escrevendo um texto como esse... sem dúvida, você vai chorar!
Dizem que, quando você engravida, nasce também uma plantação de palpiteiros, e que essa plantação floresce ainda mais depois que ele nasce. E é verdade. Todo mundo tem um palpite sobre a sua gravidez. Mas, sabe, minha amiga, não leve isso como imposição dos outros. São poucas as pessoas que falam porque acham que você não vai saber o quê ou como fazer. A maioria delas fala como forma de carinho, porque se preocupam com você e com seu filho. E, quer saber, quando você menos perceber, vai estar fazendo o mesmo com outras mães. Porque é isso que a gente faz: a gente pega a própria experiência e tenta passar adiante. Eu passei esses nove meses ouvindo mil palpites. Ouvi todos com carinho e guardei comigo aqueles que me parecem servir. Claro que, dependendo do dia, a gente tem vontade de dizer chega! Mas aí a gente lembra o quanto é bom ter pessoas junto com a gente, mesmo que seja pra dar palpite furado, ou dizer "no meu tempo..."
Não sei você amiga, mas eu me sentia feliz e lisonjeada com cada pessoa que queria tocar na barriga e fazer um carinho. É um carinho na mãe e no filho. Claro que eu não tive a invasão de alguém desconhecido querer fazer isso. Mas é muito bom ter esse carinho!
E o carinho mais gostoso, para mim, foi o do pai do meu filho. Que me olhou nesses meses todos como se eu fosse a mulher mais desejável da terra. Que cuidou de mim e do meu corpo muito mais do que antes. Que soube me tocar, me acariciar e me admirar nessa transformação louca. Que soube secar todas as minhas lágrimas, ouvir todos os meus lamentos, medos, anseios e minhas palavras desconexas para explicar o que eu estava vivendo internamente. Que entendeu, nesse tempo todo, que além de mãe, eu continuava sendo sua mulher, sua namorada e que eu precisava de colo, muito colo o tempo todo. Nada vai te preparar para acordar no meio da madrugada e ver que seu parceiro está fazendo carinho na sua barriga, mesmo estando dormindo num sono pesado. Nada vai te preparar para ver seu marido, companheiro, namorado, se tornar o pai do seu filho.
Bom, e se você tem bichinho de estimação, como gato ou cachorro - no meu caso eu tenho dois gatos - nada vai te preparar para aquele momento em que você percebe que seu bichinho sabe que tem um filhote dentro de você. Nada vai te preparar para o felino ronronando do lado de fora da barriga e o bebê "respondendo" do lado de dentro. Nada vai te preparar para aquela madrugada em que você acorda com uma contração e, quando olha para o chão, ao lado da cama, estão os dois gatos olhando pra você, como se tivessem previsto que você precisava de alguém.
Então você começa a ter contrações no final da gravidez. E lê sobre as tais contrações de treinamento e vai batendo aquela ansiedade pra saber quando vai ser o parto, como vai ser o trabalho de parto, que dor você vai sentir, e se aquilo ali é de treinamento ou se já é de verdade. E, mais uma vez, as pessoas te dizem: calma, na hora você vai saber.
Acho que elas devem ter razão. E, por isso, eu senti mais ansiedade há duas semanas, quando eu tive as primeiras contrações fortes de treinamento do que agora, mais perto do parto. Afinal, eu já entendi que, quando eu engravidei, instalaram uma espécie de chip na minha cabeça - ou seria no meu coração? - que me faz saber de coisas que eu nem imaginava que saberia.
Minha amiga, eu te contei um pouco - bem pouco mesmo - sobre a minha gravidez. Não que eu ache que isso vai te preparar pra alguma coisa. Não se engane, nada vai te preparar pra viver esses momentos. E você vai vivê-los como tiver, puder e souber viver. E isso vai te transformar em outra pessoa. E você nem vai reclamar disso.
Eu não acho que tudo que já li, ouvi e vi sobre o parto tenha me preparado para o momento que estou prestes a viver. Por mais que as pessoas me digam que ver o bebê, tocar, cheirar ele pela primeira vez é algo mágico, só quando eu passar eu vou saber. E é por isso que eu não tenho medo de pegar no colo, dar de mamar, dar banho etc... eu vou saber! E vou saber porque vou aprender com quem já sabe, mas, principalmente, com esse menino com quem me relaciono desde antes de saber que estava grávida, que me ensinou a ser mãe dele antes mesmo de nascer. Porque, minha amiga, esse relacionamento que construímos com nossos rebentos, nem a gente sabe explicar.
Pode ser que a sua gravidez seja completamente diferente da minha. Pode ser que esse relacionamento só comece quando você ver seu bebê. Pode ser que você deteste seu barrigão e não consiga se relacionar com esse novo corpo. Pode ser que o relacionamento com seu parceiro piore e não melhore, como foi o meu. Pode ser que você se sinta triste e não radiante.  E isso não vai te fazer mais ou menos mãe. Ou uma mãe melhor ou pior. E, tudo bem... porque cada mãe tem um modo diferente de viver a maternidade.
Fica tranquila, você não vai estar
preparada, mas vai saber!
Beijos

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Por que sou CONTRA a PEC 241 / PEC 55

O assunto de hoje é sério!
Sim, eu estou super envolvida com assuntos de bebê, parto e mamá. Mas eu também vivo no mundo, continuo trabalhando, lendo, estudando e não consigo não escrever sobre esse tema que tem atormentado a vida de todo brasileiro consciente: a PEC 241, que agora, no Senado, é a PEC 55.
Me atormenta porque eu, Bruna, fiz mestrado e doutorado com bolsa da CAPES, só não fui pro exterior fazer parte do doutorado por escolha minha, mas existia bolsa pra eu ir, caso eu quisesse (e sim, é importante na formação). Me atormenta porque eu tomo uma medicação de alto custo que recebo pelo SUS. Porque meu marido faz reabilitação (fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional) pelo SUS, porque as duas cadeiras de roda que ele usa e a cadeira de banho (que foi encomendada agora), também vieram pelo SUS. Porque metade das medicações que ele toma, tanto de médio quanto de alto custo (e são muitas), recebemos pelo SUS. Me atormenta, porque meus avós, que já tem mais de 80 anos de idade, tem seu atendimento de saúde no posto do SUS, e é um atendimento exemplar. O marcapasso que a vovó usa é de última geração e ótima qualidade. Quando meu vô teve meningite e precisou ficar 2 meses no hospital, foi pelo SUS e, vou ser sincera, a qualidade das instalações eram melhores do que muito hospital que eu fiquei com plano de saúde.
Me atormenta porque eu quero que as próximas gerações tenham essa oportunidade que eu e minha família tivemos e continuamos tendo.
Mas se essa PEC passar, meus caros amigos e minhas caras amigas, temo que nada disso mais vai existir.
Já que aqui falamos de EM e saúde, vamos nos ater mais às questões de saúde então.
Eu sei que o SUS é melhor no papel que na realidade. Ainda assim, ele é bom. E eu defendo o SUS porque acho que ele tem que melhorar sim, e tem que continuar existindo. Eu sei que não é satisfatório ainda hoje. Mas se hoje ele funciona mais ou menos, com a PEC, esqueçam até o mais ou menos.
Sabe aquelas novas medicações que a gente fica lutando pra que entre pelo SUS, aqueles novos orais, aquele que serve pra EMPP? Esquece. Com esse novo orçamento pra saúde, não vão entrar, porque pro governo isso é gasto, não investimento. Ah, e se hoje já tá difícil de conseguir o auxílio doença, vai ficar cada vez mais difícil. E aí, danem-se as pessoas com EM que não vão ter nem atendimento decente, nem medicamento de última geração, nem condições de trabalhar, nem auxílio doença. Vamos viver de... bom, sei lá do que...

Mas Bruna, o que é essa tal de PEC 241/55?
Vamos lá! O governo de Michel Temer tem promovido um ataque sistemático aos direitos sociais previstos na Constituição de 1988. A apresentação da PEC 241/2016, que estabelece um novo regime fiscal para gastos com saúde e educação é mais um exemplo disso. No texto apresentado, valores mínimos dos gastos com saúde e educação da União passarão a ser corrigidos pela inflação do ano anterior, e não mais pela receita. A PEC 241 terá validade de 20 anos, com possibilidade de revisão em 10 anos. Um dos maiores retrocessos da proposta é que os investimentos não mais estarão atrelados ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, como ocorre hoje.
É como se uma família que quisesse economizar, pegasse o mês mais apertado e difícil do ano e tivesse as condições econômicas daquele mês durante 20 anos! 

Já pensou????
Aqui tem um vídeo, bem em cima do muro, que explica o que é a PEC:


Mas como eu não sou em cima do muro, como eu tenho um posicionamento e ele é sim contra e crítico a PEC, prefiro esse: 


E ter um posicionamento contra um desatino desse governo não é ser "petralha" ou qualquer "xingamento" que queiram dar. Porque, honestamente, não importa se você votou na Dilma ou no Aécio, se você era a favor ou contra o Impeachment da presidenta, se você é dos "vândalos" ou dos que batem panela, se você é mortadela ou coxinha: se você é cidadão brasileiro, você vai ser afetado, negativamente, com a aprovação dessa PEC do fim do mundo!

Mas no que isso vai afetar a minha vida?

Em tudo! No momento em que o investimento público em saúde e educação é cortado, tanto a educação pública quanto a saúde correm o risco de morrer. Olhem só o que diz o Ronald Santos, presidente do Conselho Nacional de Saúde:

 “Ao fim e ao cabo, aprovando essa PEC, ela vai significar morte; por isso nós devemos rebatizá-la como a PEC da morte, porque ela vai causar a morte do povo brasileiro. Não podemos admitir que o principal contrato do povo brasileiro, que é a Constituição, seja rasgado. Por isso é fundamental que todas as organizações, de forma mais ampla possível, mobilizem o povo brasileiro no sentido de dizer não à PEC da morte”.

A PEC 241 estabelece um teto para as despesas primárias (que atendem as necessidades da população) e não inclui as despesas financeiras, como os juros, por exemplo, que continuarão sem nenhum limite.

Hoje já não temos investimento suficiente em saúde e educação, e ainda teremos, caso aprovada, esses investimentos congelados. Isso significa não apenas menos SAMU, menos tecnologias de saúde aprovadas para o SUS, mas também menos pesquisas em saúde, menos profissionais sendo formados e, com isso, uma precarização de todo um sistema de atendimento.

Entenda melhor o impacto da PEC 241 na educação e porque eu sou a favor das ocupações:


#OcupaTudo
Meu dó é estar de repouso e não poder ajudar no #OcupaUFRGS #OcupaFaced. Porque meus amigos e colegas que estão lá ocupando e todos os jovens que ocupam hoje as escolas não são vândalos que não querem estudar. Pelo contrário, são pessoas inteligentíssimas, que querem garantir a continuação de seus estudos e também o futuro da educação. Meus queridos e minhas queridas, continuem firme na ocupação. Enquanto eu fico firme no repouso, garantindo que Francisco venha no tempo certo, vocês ajudam a garantir que ele possa estudar com qualidade!!!

PEC 241 e Saúde

Se aprovada a PEC 241, a partir de 2017 os recursos destinados à saúde terão como base de cálculo 15% da Receita Corrente Líquida (RCL), estimada em R$ 758 bilhões no Projeto de Lei Orçamentária. Isso representará o valor de R$ 113,74 bilhões, que ficará congelado até 2036. A partir de 2018, a correção será somente pela variação anual da inflação, calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). As perdas deste valor congelado em 2018 até 2036 totalizam R$ 438 bilhões, de acordo com as projeções baseadas nos cálculos do Grupo Técnico Institucional de Discussão de Financiamento do SUS, que compõem o estudo apresentado pela COFIN.

“A PEC 241 é uma ameaça extremamente grave, principalmente para os estados e os municípios, porque ela congela os recursos da saúde até 2036. Ou seja, o orçamento da saúde ficaria nos atuais cento e oito bilhões de reais até 2036, sem que se leve em conta o envelhecimento da população e outros fatores importantes”, afirma Odorico Monteiro, presidente da Parlamentar em Defesa do SUS.

O Governo quer fazer você acreditar que a crise financeira do país é provocada pelos investimentos feitos em necessidades básicas da população e não nos gastos exorbitantes das altas camadas da sociedade.

A PEC 241, acabando com o investimento social matará o SUS e jogará, obrigatoriamente, a conta de saúde para cada pessoa individualmente. Se hoje temos acesso a medicamentos de alto custo e atendimento em centros de referência de EM pelo SUS, com a aprovação da PEC teremos que recorrer ao sistema privado. Se, com a existência, ainda que precária do SUS, não temos uma igualdade e equidade no campo da saúde, com a aprovação da PEC, cada vez mais, saúde e educação serão objetos de luxo destinados a uma camada muito pequena e privilegiada da população.

Eu acredito que não podemos aceitar uma coisa absurda dessas. Por isso escrevo minha indignação. Por isso peço que você também não permita a perda de nenhuma direito. Por isso deixo aqui o link da Consulta Pública do Senado e peço que votem contra a PEC 55:

Enviem emails para seus senadores dando sua opinião também.
Não adianta só reclamarmos que as coisas não acontecem, que a vida de quem tem EM é ruim, se a gente fica quieto quando querem tirar o pouco que temos pra proporcionar qualidade de vida à todo cidadão e cidadã! Pensem em vocês, nos seus filhos, nas próximas gerações. 

Até mais!
Bjs
#ForaTemer
#OcupaTudo
#CorteZero

(Em tempo: eu não sou do PT, sou de esquerda sim, mortadela, vândala, contra o impeachment e a favor das ocupações. Me julgem! Mas não esperem que eu vá discutir com ninguém aí nos comentários... e mantenham o decoro, por favor. Não precisamos concordar pra conviver, mas sim, é preciso ter respeito!) 

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Francisco apressadinho...

Oi gentes, tudo bem com vocês?
Por aqui tudo bem... ansiedade à flor da pele. Essa semana Francisco resolveu que quer vir antes e me colocou de repouso pra vermos se seguramos esse menino mais umas semanas aqui dentro. Eu falo pra ele não ter pressa, que ele terá todo tempo do mundo pra se mexer bastante aqui fora... mas acho que ele tá ansioso pra ter essa mãe babona amassando ele até dizer chega!
Na minha cabeça, mil coisas se passam. Não consigo escrever muito porque o tempo que estou acordada fico meio zumbi. Não tenho conseguido dormir muito bem, porque dá azia, porque não tem posição que fique bom, porque quando tento dormir fico pensando em como vai ser... Resultado: não devo dormir 5h por dia, somando todos os cochilos.
Mas tem sido delicioso! heehhehehe
Enquanto Francisco não nasce, curtam os vídeos que eu e o Jota estamos fazendo com carinho, toda semana. Já são 27 vídeos gente!
Esse é o último:


Bjs

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Minha tese está disponível. Obrigada!


Oi gentes, tudo bem com vocês?
Por aqui tudo bem. Estou em "semi repouso" porque Francisco parece estar com pressa. Estamos com 32 semanas (isso quer dizer no oitavo mês), e ele até poderia já nascer saudável, mas o ideal é completar a gestação (que seriam 40 semanas). Vou ficar bem quietinha aqui em casa pelo menos pra completar 36 semanas (início do nono mês). Viu só como eu sou legal traduzindo semanas em meses? hehehehehe
Bem, mas o assunto de hoje não é gravidez (pasmem!).
Hoje eu quero compartilhar com vocês meu outro "filho" nascido em 2016: minha tese.
Sim, agora ela já está disponível no site da biblioteca da UFRGS para todos poderem baixar e ler com calma. Foi um trabalho que me deu muito prazer em fazer. Me mudou internamente como ser humano, me trouxe um crescimento pessoal imenso, mudou a forma como eu vejo/escrevo meus blogs, assim como fazer o blog me faz ter um texto acadêmico diferente, talvez coloquial demais para o povo das ciências.
Sugiro a leitura dos agradecimentos e da introdução àqueles que não gostam muito de ler... mas eu gostei tanto dela que acho que vale a pena ler toda, viu? hehehehehe
Enfim, eu gostei muito do resultado. E, claro, ele não vai parar por aí, nessas 187 folhas... Fazer um trabalho desses me fez pensar em outras pesquisas envolvendo o tema da Educação para a doença, que eu acho que é o que eu faço aqui no blog. E podem esperar, vem mais coisa pela frente...
Hoje eu quero agradecer, mais uma vez as pessoas que fizeram parte de todo esse processo, incluindo minha orientadora Prof. Dra. Rosa Hessel Silveira, que topou fazer esse trabalho comigo e me orientou da melhor forma possível, meus professores, colegas, amigos, familiares, blogueiros, leitores do blog, pessoas que pararam para conversar comigo sobre o trabalho num cafézinho em algum congresso... enfim, todos que deixaram alguma marca nessa escrita.
Muito obrigada a todos vocês!
Para acessar a tese, basta clicar AQUI!

O nome da tese é: LinkDor compartilhada é dor diminuída: autobiografia e formação identitária em blogs de pessoas em condição crônica de doença.
E para agradecer a vocês, que me acompanham aqui no blog, deixo a epígrafe da minha tese, porque era também, e principalmente em vocês, que eu pensava em cada início de frase e cada ponto final:

“Não consigo fingir que não estou com medo. Mas meu sentimento predominante é a gratidão. Amei e fui amado, recebi muito e dei algo em troca, li, viajei, pensei, escrevi. Tive meu intercurso com o mundo, o intercurso especial dos escritores e leitores” Oliver Sacks (Gratidão – Cia das Letras, 2015)

Até mais!
Bjs