quinta-feira, 7 de abril de 2011

Sofrer? Jamais!

Oi gentes, blz?
Hoje quero dar o troféu de melhor prima do mundo pra Raquel, minha prima querida que me deu o Avonex ontem...hehehe.
Ontem a gente teve que se virar, afinal, uma hora seria necessário. Eu tava tranquila, mas a Raquel tava nervosa. Mas não demonstrou, nem um pouquinho. Só depois que acabou e deu tudo certo, ela se atirou no sofá e respirou...hehehehe
É, a primeira a gente nunca esquece meus amores.
Ontem eu tomei só o paracetamol antes da injeção. E, adivinhem: não senti nada. Nem dor, nem febre, nem nada. Quer dizer, acordei com a pior ressaca do mundo. Mas, como eu já fiz disso sem tomar Avonex, e por vontade própria, não é nada que eu não possa suportar. Entretanto, depois das 11h da manhã não tinha mais nem dor de cabeça.
Bom, mas além de agradecer minha prima-irmã-fisio-alma gêmea Raquel, tem outro assunto que quero comentar hoje.
Hoje, dando as minhas voltas pelos blogs dos amigos, li um comentário duma moça que dizia mais ou menos assim: é tão bom você poder ajudar as pessoas que sofrem dessa doença (EM).
Eu acho engraçada e irritante essa mania que as pessoas têm de achar que só porque a pessoa tem uma doença, ela sofre. Parece que somos sofredores inatos. E isso faz com que se propague a ideia do doentinho.
Eu não sei vocês, mas detesto que achem que sou sofrenilda só porque tenho EM. Conheço muita gente com saúde que sofre mais com a unha quebrada e a raiz do cabelo branca do que eu com a minha EM.
Achar que as pessoas que tem doenças ou deficiências sofrem, sempre, independente da sua vida (que não é a doença), é uma ideia muito estúpida.
Também acho que é por as pessoas pensarem assim que elas sempre esperam que pessoas com doenças ou deficiências sejam coitadinhos, feinhos, tristinhos, apagadinhos e burrinhos.
E é isso, uma atitude explica a outra. São ideias estúpidas, como a de quem tem doença sofre, que gera a imagem do doente sofrenildo. E assim vai sendo perpetuados preconceitos...
Esse é o troféu pra Raquel,
 hehehe
Te amo muito!
Eu sei que provavelmente a pessoa que disse isso lá no blog da minha amiga não quis ofender, ou qualquer coisa do gênero. Acho até que tinha uma boa intenção. Mas, como diz um ditado popular, de boas intenções o inferno está cheio. Eu diria mais, está lotado.
Desculpa gente, mas não dá pra gente passar a mão na cabeça das pessoas e dizer: ok, ok, eu sei que você não tinha intenção.
Parece-me que o tal Bolsonaro disse que não tinha a intenção de ofender os negros e os gays em suas declarações da semana passada. E ninguém com bom senso passaria a mão na cabeça dele.
Então, porque é que a gente tem que aceitar esses estereótipos que nos dão? Pra ser bonzinhos?
Sinceramente, acho melhor não.
Esclerosada sim, sofredora, jamais!
Até mais!
Bjs

6 comentários:

  1. Oi Bruna, que bom que achei o seu blog. Tenho 34 anos e descobri que estava com EM a um ano. Li suas últimas postagens e me identifiquei com muitas situações, como por exemplo a parte emocional, eu tomo Avonex toda sexta, para poder dormir no sábado até mais tarde. As reações são o de menos pra mim, o que me complica é a ansiedade até que eu tenha tomado a injeção porque eu nunca sei se a aplicação vai ser dolorida ou não. No início estava tomando apenas na coxa mas agora já tive que começar o rodízio, para que o mesmo local tenha um intervalo de 1 mês entre as aplicações. Hoje eu tomo na parte anterior da coxa, na lateral da coxa e superior dos braços. Eu sempre tive medo de tomar no braço pelo fato de achar que a agulha iria chegar no meu osso, rss, mas depois que tomei vi que era o melhor lugar pra mim pois acho a coxa muito sensível. As reações são parecidas com as suas, como eu tomo lá pelas 18 horas, tomo um paracetamol após a aplicação e outro antes de dormir. No início tomava apenas um, mas aí acordava suado no meio da noite como se tivesse passado por uma febre, agora que tomo dois consigo dormir a noite toda. No outro dia é aquela ressaca mesmo, já estou indo para a 12ª caixa de Avonex, ainda tenho as reações mas não como no início. No começo achava que um dia poderia tentar a auto-aplicação, mas hoje vejo essa possibilidade longe, não consigo, quem aplica é minha esposa. Sempre quando vou ao meu médico pergunto de novos medicamentos, pois minha esperança é poder um dia tomar apenas um comprimido, não quero ficar me furando a vida toda, mas enquanto isso vamos seguir com nosso Avonex.
    Um abraço, Edison (edweise@oi.com.br)

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  2. Edison, que bom que você se sente bem com a medicação. E obrigado pelo prestígio aqui no blog.
    Também acho que a auto-aplicação não vai rolar. Afinal, é pra isso que temos amigos, família e os profissionais de saúde. Também não vejo a hora de autorizarem uma medicação oral aqui no Brasil. E mesmo assim, vamos ter que ver os efeitos delas.
    Bjs

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  3. Oi Bruna!!!
    Adorei teu post!!! Show de bola!!! Concordo em genero e grau com o que dissestes. O que mais me incomoda é quando vejo nos olhos das pessoas: "pena". E nas suas palavras: "coitada". Detesto esta palavra.
    Confesso que tenho sofrido muito, de chegar a beirar o desespero, o que me provocou este surto que não quer mais me largar, mas não por causa da EM, que no momento é o menor dos meus problemas. Mas deixa prá lá... esse meu papo tá ficando muito baixo-astral e ninguém merece, né?!!
    Bruna, mão vou poder ir na reunião da AGAPEM, minhas pernas estão muito ruíns e a dose altíssima de cortisona que estou tomando, me deixa super ansiosa e agitada. Então só eu falo, não tem prá mais ninguém. kkkkkkk... Me expulsariam da reunião. kkkkk...
    Com certeza não faltará oportunidade para nos conhecermos pessoalmente, o que vou amar.
    Também não gosto muito do "E se...", tem um tom de arrependimento, éca!!!
    Depois conta como foi a reunião, tá?!!
    Beijos com carinho,
    Neyra.

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  4. Natalia Simonato9 de abril de 2011 01:38

    Oi, Bruna!
    Procurando à respeito de EM na internet, encontrei seu blog!
    Gostei muito do que li nesse post, achei uma reflexão muito bacana da sua parte e aprendi, convivendo com um doente (Leucemia), a respeitar sinceramente experiências que não tive a oportunidade de viver.
    Admiro muito o crescimento e a maturidade que uma situação extrema como uma doença, pode fornecer a uma pessoa. Isso, na minha opinião, tem um valor pessoal muito grande porque pessoas maduras e conscientes estão em extinção. Realmente, o que mais vamos encontrar por aí são pessoas sofrendo horrores por um fio de cabelo branco. Vc está coberta de razão e acho até que eu, na posição de alguém com a saúde 100%, estou próxima de um desses! Hahaha...
    Enfim, nada de dó e melodrama, acredito muito que vc seja feliz do jeito que é e com certeza vale a pena se expressar e tentar mostrar qual é a RELIDADE pra esse mundo tão maluco.
    Tudo de bom! Saúde!

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  5. Oi Bruna,
    Adorei o seu post. É isso aí... essa imagem de coitadinha e sofredora está por fora. Temos mais é que valorizar as coisas boas da vida, e isso vale para qualquer um.
    Bjs

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  6. Ei Bruna,
    Concordo plenamente com você. Também detesto a cara de dó/pena/piedade das pessoas.
    Por isto prefiro ficar mais em silêncio com relação a EM. Infelizmente as pessoas, de maneira geral, não estão preparadas para viver ao lado de uma pessoa com doença crônica e ao mesmo tempo bem. A doença existe, mas a nossa felicidade, sonhos e desejos existem também. E a gente nasceu pra ser feliz!!!
    Bjss,
    Cristina - MG

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