terça-feira, 22 de dezembro de 2015

"Não deixem de me beijar"

Oi gentes, tudo bem com vocês?
Por aqui tudo ótimo. Estou meio ausente do blog por contingência do final de ano... mas tem post hoje, dia 25 (dia de Natal) tem post meu na AME e no dia 31 tem post aqui de novo.
Mas antes de refletir sobre natal, fim de ano etc., gostaria de compartilhar com vocês um texto que me tocou muito quando li no último sábado. Não só pelo texto, mas por trazer a fala e a emoção de alguém muito especial pra mim.
Todo sábado, no jornal Zero Hora o médico J.J. Camargo escreve sobre vida, saúde etc., e no último sábado ele compartilhou com seus leitores o discurso do paraninfo da turma de Medicina - 2015 da Ulbra, dr. Cezar Vilodre, mais conhecido aqui em casa como cegonha.
Acho que admiro o César antes mesmo de enxergar o mundo, por ele ter cuidado da minha mãe gravidinha. Tenho certeza que foi ele a primeira pessoa que me viu. E ter ele me acompanhando hoje, como meu ginecologista é uma benção. Cresci ouvindo sobre a pessoa maravilhosa que ele é. E quando me mudei pra Porto Alegre, foi ele o primeiro médico que me atendeu e que me indicou a minha neurologista, que, vocês sabem, é alguém importante demais na minha vida.
Hoje em dia ele está acompanhando meu desejo de ter ele como cegonha da família novamente. E me orgulha e emociona muito ler um pouco desse discurso que, certamente foi lindo, como tudo que ele faz.
Eu e o Dr. Cezar, no meu primeiro dia de vida.
(precisamos de uma foto atualizada...hehehehe)

Obrigada dr. Cezar. Você sabe o quanto as mulheres dessa família te amam!

Os filhos que adotamos
J.J.Camargo


Trate duas turmas diferentes da mesma maneira e descobrirá, na diversidade de comportamentos e retribuições, o quanto somos valorizados ou discriminados de forma a nos vangloriarmos ou nem nos reconhecermos. Por isso, todos nós, professores, depois de muitos anos de magistério, temos as nossas turmas que amamos de paixão e as outras, que tiveram outros amores. Uma relação que se assemelha ao afeto imprevisível de filhos adotivos.
A turma 2015/2 da Ulbra encontrou o Luiz Cezar Vilodre e foi encantada por ele. Escolhido paraninfo, iniciou seu discurso identificando onde começara o vínculo: tinha sido no dia em que, irritado com o mau desempenho do grupo, comunicou: “Acabou o tempo em que aluno da Ulbra era identificado como mau aluno. Acabou o tempo em que os egressos desta escola não passavam em provas nacionais. Daqui por diante, quem não estudar simplesmente não vai terminar o curso!”. A convicção do anúncio deixou poucas dúvidas de que o cumpriria. Semanas depois, durante uma temida prova oral, ao abrir a porta para chamar o próximo aluno, deparou com dois já examinados, anunciando para a escola inteira ouvir: “Humilhei o Vilodre, acertei todas as respostas!”.
Confessou que aquela frase ficou martelando na sua cabeça durante muitas noites até que se apercebeu que ela encerrava o verdadeiro sentido de ser professor, ao se dar conta do quanto estava orgulhoso porque o seu trabalho persistente e obstinado produzira como fruto aquilo que o aluno, sem entender o mérito, chamara de “humilhação”.
A plateia se remexeu na poltrona e passou a pensar nele como o mestre realizado na proeza dos seus alunos. Então, mostrando que esta roda não para de girar, com a humildade de quem um dia também foi aluno, ele rendeu homenagem a dois de seus inesquecíveis professores: João Gomes da Silveira e Pedro Luiz Costa, dois ícones da Medicina que lhe ensinaram a amar a ginecologia.
Identificou-os como personalidades opostas: o professor João Gomes da Silveira, um homem pequeno, de fala mansa, roupas modestas, que, quando começava a ensinar, se transformava num gigante. O outro, alto, magro, nariz adunco, olhos de águia, um fera de intolerância e dono de uma velocidade mental deslumbrante. O primeiro corrigia cada atitude equivocada do aluno com a serenidade da mão no ombro. O outro, quando chamava alguém na sua sala, já recebia a vítima com a alma encomendada. Estabelecidos os modelos díspares que tinham moldado sua formação acadêmica, ele contou que, muitos anos depois, tarde da noite, ao sair do centro obstétrico de um grande hospital, viu um senhor idoso, deitado numa maca, aguardando o elevador. E, para a sua surpresa, reconheceu naquela figura arfante e arroxeada o professor Pedro Luiz Costa. Pego de surpresa e assumindo que, às vezes, a sua boca fala mais rápido do que sua cabeça consegue pensar, disse: “Professor! O que o senhor está fazendo aqui?”
E o professor, que aparentemente não precisava de oxigênio para ser mordaz, respondeu sem olhar: “Te esperando!”
Então, desconcertado, ele se apresentou: “Sou o Luiz Cezar Vilodre, sou muito grato ao senhor, fui seu residente há muitos anos e, por sua causa, aprendi a adorar a ginecologia!”.
Quando o elevador chegou e a maca começou a ser empurrada, se despediu do mestre, prometendo rezar por ele e lhe beijou a testa.
Próximo do final, enalteceu a escola médica como referência para a vida do formando e assegurou que estaria lá, à espera que os ex-alunos voltassem quando precisassem de ajuda. Por fim, com a plateia tentando conviver com a emoção crescente, ele arrematou: “E se, um dia, vocês me encontrarem numa maca, num corredor de hospital, não precisam falar nada, mas não deixem de me beijar!”.
Levantamos para aplaudir porque ali estava um professor na sua plenitude. Todos os que um dia deram aula desabaram. E foi um choro bom de chorar!

Texto original: http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/vida/palavra-de-medico/noticia/2015/12/j-j-camargo-os-filhos-que-adotamos-4933743.html

7 comentários:

  1. Demais esse post!
    E que legal! Tens uma foto com o doutor que te ajudou na chegada!
    Feliz Natal a todos que se encontram nesse espaço querido, o Blog da Bruna!
    Feliz Natal Bruna e tua linda família!
    Beijos <3

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  2. Bom dia Bruna...lendo seu post, realmente emocionante, lembrei dos mestres que cruzaram e cruzam meu caminho, gratidão eterna a eles... Mas no início vc falou da sua vontade de "fazer uma encomenda pra cegonha"...quais as opções? Esse, dentre tantos outros medos, é o que mais me assusta. Sou casada há 1 ano e meio, fiz o diagnóstico há alguns meses e inicio o tratamento amanhã. O que lhe ofereceram de opção? Vc sabe com quanto tempo de tratamento vc pode parar para tentar? Obrigada... Um ótimo 2016!!! Priscila

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    1. Oi Pri, tudo bem contigo? Então, vamos começar a tentar engravidar agora. Não precisa se assustar não. Quem tem EM tem as mesmas chances de engravidar de quem não tem. E, aliás, uma das coisas mais legais é que quando a mulher engravida, quase não tem sintomas da EM, muito menos surtos. Os médicos indicam que é bom estar com a doença estabilizada (sem surtos) por um ano pra parar o tratamento e começar as tentativas. Alguns remédios precisam ser suspensos antes de engravidar (eu já parei o avonex) e outros podem ser tomados até engravidar. Mas é tranquilo e normal, como com qualquer outra mulher sem EM.
      Os cuidados são os mesmos de quem não tem EM, os planos etc. Tem muitas mulheres que nem começam a medicação porque querem engravidar antes.
      Tem dois vídeos que acho bem legal pra ajudar nessa questão:
      https://www.youtube.com/watch?v=9XuhsHqa2Dg
      https://www.youtube.com/watch?time_continue=2&v=HlFoPNVxMXg
      Bjs

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    2. Bruna, desejo a você e ao Jota toda a sorte do mundo nesse GRANDE projeto.

      Quando eu recebi o diagnóstico de EM eu tinha acabado de fazer 01 ano de casada e passei o aniversário de 02 anos de casamento no hospital fazendo pulso.
      Depois disso os planos para trazer um herdeiro ao mundo pareceu fora do contexto.

      Mas os nossos planos nem sempre são os Dele.

      08 meses de Avonex - 04 surtos
      Troca de medicação
      08 meses de Tysabri - 00 surtos
      Após a oitava infusão tive Herpes Zoster e sou JC+
      Para a medicação por 06 meses para ir pro Gylenia

      06 meses sem medicação, engravido.

      Tive surto durante a gravidez, novas lesões e tudo o mais que a EM pode propiciar.
      Fiz ressonância, fiz pulso e fiz uma prece.

      Estou com 30 semanas. Contagem regressiva!



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  3. Oi Bruna...
    Muito obrigada, o vídeo me tirou Mtos medos. Hoje tomei o avonex pela primeira vez, muito menos ruim que imaginei. Obrigada e parabéns pelo blog!
    Bjo Pri

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  4. Oi, Bruna!!
    Faz tempo que não passo por aqui!
    Não sabia que vc estava encomendando à dona cegonha... Que bacana! :)
    Sobre isso confesso que tenho muito receio... Sempre penso como conseguiria cuidar do meu filho, se vou ter pique, se vou ter força pra colocá-lo nos braços, se vou ter disposição (e sem fadiga) pra brincar com ele, acompanhar os compromissos da escola, levá-lo, pegá-lo de volta, levar às festinhas, ser mãetorista, ir a médico, cozinhar, trabalhar, cuidar da casa, dar o suporte no que que ele precisar... UFA! Me deu uma fadiga só de pensar! Poxa, isso me desanima tanto... :(
    Ah e vc sabe dizer algo sobre a transmissão da EM para os filhos? Queria muito saber!

    Obrigada!

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    Respostas
    1. Oi Débora, sabe que as vezes eu também penso sobre isso... se vou dar conta. Mas acho que isso não é privilégio da EM...hehehehe
      Então, a chance de um filho de alguém com EM ter EM é 6% maior do que na população em geral. Meus filhos com o Jota terão 12% mais chances de ter EM do que os filhos dos meus amigos que não tem EM. Mas, se eles tiverem a vida feliz que eu tenho, vale com EM também!!!
      Bjs

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